sábado, 15 de outubro de 2011

DISCO "CODÓ E O MAR" Codó e seu violão (1967)


Capa do disco " Codó e o Mar " (1967).
Há os que tocam e os que enganam. Há os que dominam de maneira incontestável os seus instrumentos e através deles conseguem comunicar ao ouvinte o seu talento e o seu poder de criação e há os que substituem a técnica verdadeira por uma série de clichês, de frases pré-fabricadas, de macetes que podem maravilhar o discófilo mais ingênuo, mas que certamente não impressionarão aquele que busca o artista antes de mais nada a expressão, a personalidade e a autenticidade.
Há muitos enganadores por aí. Os que tocam mesmo são poucos.

Um deles é o veterano instrumentista baiano Clodoaldo Brito – conhecido artisticamente apenas por Codó – para quem o violão deixou a muito tempo de ter segredos. Por que Codó é um estilista e não um enganador?
Porque Codó possui não apenas maneira de tocar que é exclusivamente sua, um autêntico patrimônio, mas porque sabe também extrair de seu Di Giorgio uma sonoridade igualmente personalíssima.

Codó possui por conseguinte os elementos básicos do estilista: sonoridade e maneira de tocar próprias. A sonoridade é a mais melodiosa, mais agradável, mais suave e mais musical que possa haver. E a maneira de tocar caracteriza-se basicamente por uma envolvente, uma cativante, uma maravilhosa simplicidade.

Ao contrário de inúmeros outros violonistas, que só se afirmam através do exibicionismo vazio, de uma execução tão veloz quanto trôpega, Codó esnoba sistematicamente o exibicionismo, trocando-o por uma simplicidade, uma singeleza de execução verdadeiramente admirável.

Neste seu primeiro LP para a RCA, a simplicidade é grande constante. Os que por ventura estavam esperando show de técnica, fiquem desde já avisados que aqui o show é de musicalidade, de sentido criador. Codó não faz música para as “paradas de sucesso”. Não faz música comercial. Nele, a música é parte integrante de seu espírito, sua sensibilidade, sua alma. Codó faz música – e a executa – porque é o ARTISTA e não o comerciante.

Tanto nas faixas com violinos e côro – para as quais o Maestro Peruzzi escreveu alguns de seus mais finos arranjos – como nas que se apresenta com seu filho Codòzinho no violão de apoio, o baterista Edson Machado e o baixista Liuz Marinho, Codó deu o melhor de sua inspiração, seu talento e sua musicalidade.

Os que por acaso ainda pensam que improvisação é um elemento exclusivamente jazzístico, ouçam sem compromisso – Codó nas faixas “Sambita” e “Abraçando Codó” e vejam e veja como se pode também improvisar no mais puro e autêntico espírito brasileiro. O LP é um show sim. Mas um show de simplicidade, de riqueza melódica, de inspiração, de bom-gosto e sobretudo da mais genuína expressão brasileira.

Com este LP, Codó não somente da uma nova dimensão ao LP de violão, como entra definitivamente para o time dos nossos maiores solistas populares.

Sylvio Tullio Cardoso, 1967.

Lado A

1 – MAR DE JANAINA (Codó)  _ 2’50”

2 – AMOR DEMAIS (Cláudio Brito) _ 3’17”

3 – FIM DE ALEGRIA (Antônio e Cláudio Brito) _ 2’49”

4 – SAMBITA (Codó – João Melo) _ 2’25”

5 – CANÇÃO PRA MINHA AMADA (Codó) _ 3’00”

6 – TEMA EM MÍ (Codó) _ 2’52”



Lado B

1 – UMA NOITE DO HAWAI (Codó) _ 2’51”

2 – FOGO NA ROÇA (Codó) _ 2’01”

3 – MEU VIOLÃO DI GIORGIO (Codó) _ 3’11”

4 – BALANÇO DE MINHA RUA (Codó – Francisco Dias Pinto) _ 2’19”

5 – DUAS ROSAS (Codó) _ 3’37”

6 – ABRAÇANDO CODÓ (Antônio Brito) _ 1’50”


Ficha Técnica

Direção Artística: Geraldo Santos

Técnico de Som: Dacy Rodrigues

Arte: Joselito

Foto: Estúdio Mafra

Produtor fonográfico: RCA Eletrônica Brasileira S.A.

Gravação realizada nos estúdios da RCA VICTOR

Rio de Janeiro – Verão, 1967.



CODÓ NA FICHA

Nome verdadeiro: Clodoaldo Brito

Nascimento: 18 de Setembro de 1913

Cidade: Cairú de Salinas das Margaridas, Bahia

Primeira composição: “Minha Primeira Valsa” (1930)

Maiores sucessos: “Zum Zum Zum”, “Tim Dom Dom”(com João Melo), “Taiti” e “Uma Noite no Hawai” (gravado por Rosinha de Valença)

Estado civil: casado, pai de 9 filhos
LPS anteriores: “Alma do Mar” (1963) e “O Violão e a Simplicidade de Codó” (1964)


Na foto ao lado, dedicatória de Codó para sua mulher Antonina (Zinha), presente na contra-capa de exemplar do disco Codó e o Mar (acervo da família).

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