domingo, 16 de outubro de 2011

Disco "ALMA DO MAR" – O Violão de CODÓ (Clodoaldo Brito) (1964)

Capa do primeiro disco gravado por Codó, "Alma do Mar - O Violão de Codó" (1964).

CLODOALDO BRITO, ou simplesmente CODÓ, nasceu no arraial de Cairú de Salinas, no Estado da Bahia. De origem simples, acostumou-se desde cedo a lutar pela vida. Quando garoto, para ajudar a família, tornou-se pescador. Data dessa época sua paixão pelos mistérios do mar.

CODÓ tem muita coisa bonita da sua vida para contar. Na ingenuidade de sua linguagem, rememora casos os mais pitorescos e enternecedores. Disse-nos, por exemplo, que o primeiro violão que possuiu foi feito de tábuas de caixotes de querosene, com  cordas de piaçava e que ainda guarda na lembrança o som do rústico instrumento.

Lembra-se comovido de como veio a ser presenteado mais tarde pelo seu velho pai com um violão de verdade. E de como adquiriu um método de canhoto para iniciar-se nos estudos da música.

As dificuldades eram enormes. Precisava conciliar o violão e o trabalho. Como fê-lo? Explica-nos CODÓ: “nas noites de pescaria, eu e os meus companheiros num barco, éramos obrigados muitas vezes a esperar a hora da maré. Eram horas que a natureza reservava para que pudéssemos descansar. Os meus camaradas, dormiam e enquanto isto, eu dedilhava meu violão, tocando para o céu e mar”.

Dotado de sensibilidade apurada, foi-lhe fácil enveredar pelos caminhos da composição musical. Em pouco tempo, toda Bahia cantava suas composições, difundidas ao vivo pelas estações de rádio, na voz dos seus melhores cantores. Até mesmo nas boates e dancings, suas melodias eram solicitadas a todo momento. É bom que se esclareça este fato, porque sem estar gravada, é muito difícil uma música fazer sucesso. E as músicas de CODÓ fazim mesmo antes de irem para a cera.

Neste LP de estréia, estão 12 composições de sua autoria.
Cada qual nos pareceu mais bonita. Por isto as gravamos para o grande público. Dar-nos-emos por imensamente satisfeitos se for esta a opinião geral.

Etse disco nasceu praticamente na casa de Fernando Cesar, numa dessas reuniões musicais que o grande compositor costuma realizar semanalmente. Após a execução de algumas composições suas, o entusiasmo dos presentes já era alguma coisa de sério. E da idéia para a efetivação da gravação, o tempo foi bastante breve.

Lado1
1 – THAITÍ
2 – NOITE AO LUAR
3 – FANTASIA EM PRELÚDIO
4 – ADORMECIDA
5 – TIM DOM DOM
6 – EU GOSTO ASSIM

Lado 2
7 – ALMA DO MAR
8 – OXUMARÉ
9 – BAIANINHO
10 – DELÍRIO
11 – UM ABRAÇO NO BADEN
12 – MOTIVO ESPANHOL


FICHA TÉCNICA
Produtor: João Mello
Técnico de gravação: Waldir Gonçalves
Engenheiro de som: Sylvio Rabello
Capa: Paulo Breves

 Dedicatório presente na contra-capa de exemplar do disco, dado a sua mulher Zinha. (acervo da família)

3 comentários:

  1. Parabéns pelo maravilhoso blog, que nos dá a oportunidade de aprofundamento na obra desse grande músico.
    Aproveitando, gostaria de saber se a "Valsa para Leninha", gravada por Paulo Moura, também foi gravada por Codó. Se não, existe a publicação da partitura original? É que, como a gravação do Paulo é muito pessoal, fica difícil de "intuir" o que foi realmente escrito. Muito obrigado por qualquer informação e mais uma vez parabéns!

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  2. Realmente Luiz, a "valsa Lena" é um mistério até aqui em casa... rs
    E olha que sou filho da Leninha (filha de Codó), homenageada na música.
    Pesquisei no acervo de Codó e realmente não achei nenhuma gravação da valsa lena em seus disco, apesar de ser uma música muito tocada na família de Codó, ela, aparentemente, não foi gravada em disco.
    Existe um compacto gravado por vovô Codó, que a família ainda não encontrou, também já busquei muito na internet mas não acho. Se foi gravada por Codó a "Valsa Lena", pode estar neste compacto, pois desconheço o repertório deste compacto.
    Quanto a forma de escrever a música, consultei minha mãe, a Leninha, e ela disse que, apesar de não ter a partitura das duas versões, a vesão gravada por Paulo Moura é bem próximo da versão feita por Codó (cantarolande de imediato a melodia da música).
    Paulo Moura era amigo íntimo de Codó, e vivia lá em casa, e deve ter sido em um som informal, dequeles que eles faziam aos fins de semana, na varanda da casa de codó em niterói, que o Paulo foi apresentado a esta valsa.
    Sabendo de alguma novidade a respeito te informo. E caso encontre o referido compacto, por favor informe.
    Obrigado pelo contato e por apreciar a música de Codó.
    Viva Codó de Bahia!

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  3. Caro Maurício,

    Realmente muito obrigado pelas preciosas informações!
    Continuaremos na busca.
    Grande abraço e viva Codó da Bahia!

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