quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Comentário de Roberto M. Moura no Disco "Série música Brasileira Vol.1 - Codó" (1983)



Competente, simples, sensível, sem vaidades, mestre, desambicioso, esse Codó que nos deixou em Janeiro desse orweliano de 1984 era um símbolo do músico brasileiro. Dominava o violão mas não escondia seus segredos. Pelo contrário, ensinou a muita gente, a começar pelos filhos vários.
Fez sucesso, notadamente no tempo de “Tim Dom Dom”, que Sérgio Mendes e João Gilberto trataram de internacionalizar, mas este sucesso nem seduziu-o nem mudou seu modo de viver, baianamente, mesmo no Rio.
As luzes da ribalta não o assustavam nem encantavam. Era um prolongamento natural dos sons que produzia e não cabiam mais dentro de casa. Era assim, o Codó! Generosamente musical, genuinamente brasileiro!

Roberto M. Moura


Comentário de Rogério Duprat no Disco "Série música Brasileira Vol.1 - Codó" (1983)


Tá certo, a gente sabe da morte e vive quase esperando. Ainda mais um cara de 70 anos. Mas isso não podia acontecer agora com Codó. Não agora. Depois de uma vida de músico meio de ribalta, tocando e criando, esperando pouco ou nada, Codó gravara um LP de músicas suas, um convite e uma homenagem da Glasurit. E aí que, antes que ele tivesse a satisfação de ver e ouvir essa bolacha, vem a maldita ceifadeira e o leva, assim de repente, como quem não quer nada e quer tudo. E o sorriso elevado do Codó? E aquela humildade soberba, de quem já viu e ouviu e sabe que ninguém é muita coisa e todos são tudo? Aaaa, que pena! Codó estava feliz e ia ficar muito mais. Essa é a palavra: Codó fazia música feliz, os dedos voando no violão, a cara contagiando o ar em volta de felicidade. Fosse no canto triste do canoeiro, nos alegres choros, nos sambas sem compromisso ou no frevo inquieto. Ora, Codó, você tinha de ficar mais um pouco. Pra que ir já, assim sem um aviso, quando ainda tinha festa te esperando? E era de festa que você gostava, e alegria, um bom papo e o violão. A gente queria ver teu sorriso ainda mais aberto quando saísse esse teu disco. Aquele teu jeito de ouvir o que você mesmo fez e tocou, como se fosse de um outro cara, quase com surpresa, meio numa de quem ta vendo a coisa pela primeira vez. O mundo anda triste. Você ainda podia dar uma força. Pena. Nós que ainda ficamos por aqui temos o consolo de continuar lembrando e mostrando você pra muita gente.

Tchau, Codó!


Rogério Duprat, 1983.

Comentário de Ségio Cabral no Disco "Série música Brasileira Vol.1 - Codó" (1983)


Além do grande músico e da grande pessoa que ele era, Codó foi uma das maiores sensibilidades musicais que eu já ví. Uma vez, numa festa, na casa de Jacob do Bandolim , todos se divertiam, rindo com a arte de Jacob. Apenas Codó chorava.


Sérgio Cabral, 1983.